Como falei no primeiro post, não consigo lembrar de muitas vezes em que me senti o anjo, certamente as lembranças virão, mas pelo menos uma delas eu lembro agora.
A data provavelmente é entre 1995/1999 e não lembro com precisão, mas lembro que estava dentro de um supermercado, fazendo compras.
Um barulho estranho me levou para fora e entendi o que tinha acontecido imediatamente, sem ninguém me falar nada.
No asfalto um homem agonizava, com o sangue jorrando abundante pela cabeça partida em algum lugar, um carro parado na rua e um homem telefonando.
Normalmente costumo me afastar deste tipo de cena, não suporto ver sangue e suporto menos ainda ver uma pessoa nesta situação.
Mas desta vez não me afastei e quando percebi, fazia algo que sempre disse a mim mesmo que jamais faria.
Sentei do lado do cara e levantei um pouco a cabeça dele, pois percebi que estava se afogando no próprio sangue... fazia borbulhas e portanto estava respirando.
Fiquei ali falando não sei o que e não sei pra que e levantei assim que chegou um para-médido em uma bicicleta.
Isso mesmo... o cara chegou de bicicleta, com equipamento e tudo e assumiu os cuidados.
Em seguida chegou o carro dos bombeiros e sai dali, não havia mais nada a fazer.
Só me dei realmente conta do que tinha feito quando peguei meu carrinho de compras de novo (tinha abandonado dentro do super-mercado) e fui para o caixa.
O olhar meio aterrorizado da caixa me trouxe de volta ao mundo real. Minha camisa estava encharcada pelo sangue do atropelado.
Fui pra casa e fiquei lá.... imaginando o porque de ter passado por aquela experiência estranha.
Nunca soube.
Nunca soube ao certo também o que aconteceu com o cara.
Perguntei a algumas pessoas e soube que era zelador de um prédio próximo e alguns disseram que ele sobreviveu ao acidente.
E não sei se foi um sonho ou se aconteceu realmente, mas me lembro de ter sido abordado por alguém que disse ser filha dele e que ela disse obrigado.
Sempre achei que isso realmente tinha ocorrido, que fui abordado pela moça na rua mas como ela sabia quem eu era? Só se estava lá no dia... não sei.
Sempre tive medo de procurar saber quem era, o que realmente aconteceu.
O que sei é que naquele momento eu era o anjo da vez, o resto não importa.
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