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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Anjo gordo

Quando decidi fazer este blog pensei que não haveria muito a colocar e percebo que já estou na sétima postagem e sem vontade de parar.
Acabei de escrever um post sobre uma lembrança de quando entendi que fui eu o anjo e em seguida me lembro de outra.
Era noite e eu viajava do Rio para uma cidadezinha próxima, estava com minha primeira esposa, a Vera e a viagem tinha sido um pouco atribulada.
Errei a saída da cidade e acabei passando por um lugar pouco recomendável e próximo de uma lombada numa estrada escura percebi que havia pessoas em atitude suspeita.
Reduzi a velocidade como se fosse parar mas acelerei em seguida, voando por cima da lombada.
E não foi a única... tinha outras e tive que repetir a ação em todas, pois em todas havia pessoas em volta.
Vera estava grávida e estava aterrorizada.
Mas nossos anjos atuaram e o único saldo negativo foi o escapamento do golzinho, que simplesmente soltou.
Parei num posto, tirei o pedaço solto e prossegui a viagem sem maiores problemas.
Mas então vi um carro parado na estrada.... umas 3 crianças e um casal, acenando desesperadamente pra gente parar.
Parei bem a frente e Vera suplicava para eu seguir em frente... mas não dava.
Se tivesse seguido em frente ia ficar - pra sempre - com a imagem daquelas pessoas pedindo socorro.
Deixei a chave com ela, falei que se eu não voltasse sozinho que era pra ela arrancar e buscar ajuda em algum lugar, ela teve que se render.
Andei até o carro e percebi que era um problema real.
O pneu tinha furado e a chave de roda do cara estava espanada, ele estava ali fazia muito tempo.
Olha só que coisa... eu tinha acabado de comprar um super chave de roda e um macaco novo pro meu carro, essas coisas de quem gosta de ferramentas.
Voltei ao carro- sozinho - dei ré e fui lá tentar resolver o problema.
A coisa tava feia, acho que o cara usou a chave ao contrário e aperto os parafusos ao invés de solta-los, não dava pra soltar de jeito nenhum.
Mas minha super chave tinha uma extensão, uma espécie de cano extra que permitia aumentar seu cabo e pisar em cima.
Pisar não adiantava... tive que pular em cima... literalmente.
Enquanto estava lá - pulando - ouvi um comentário de um dos meninos:

- Ainda bem que Deus mandou um anjo gordo;

Depois desse comentário rimos todos e as porcas soltaram, o pneu foi trocado a familia agradeceu e seguimos viagem.

O lugar era uma subida, logo acima, pouco mais de 2 km, um posto de gasolina.

Putz, o cara ficou o tempo todo ali, pedindo ajuda e nem sabia que tinha um posto logo ali, nem eu.

Mas é bom ter este tipo de oportunidade na vida. Naquele dia sei que pude dar uma folga a algum anjo.

Eu, anjo

Como falei no primeiro post, não consigo lembrar de muitas vezes em que me senti o anjo, certamente as lembranças virão, mas pelo menos uma delas eu lembro agora.
A data provavelmente é entre 1995/1999 e não lembro com precisão, mas lembro que estava dentro de um supermercado, fazendo compras.
Um barulho estranho me levou para fora e entendi o que tinha acontecido imediatamente, sem ninguém me falar nada.
No asfalto um homem agonizava, com o sangue jorrando abundante pela cabeça partida em algum lugar, um carro parado na rua e um homem telefonando.
Normalmente costumo me afastar deste tipo de cena, não suporto ver sangue e suporto menos ainda ver uma pessoa nesta situação.
Mas desta vez não me afastei e quando percebi, fazia algo que sempre disse a mim mesmo que jamais faria.
Sentei do lado do cara e levantei um pouco a cabeça dele, pois percebi que estava se afogando no próprio sangue... fazia borbulhas e portanto estava respirando.
Fiquei ali falando não sei o que e não sei pra que e levantei assim que chegou um para-médido em uma bicicleta.
Isso mesmo... o cara chegou de bicicleta, com equipamento e tudo e assumiu os cuidados.
Em seguida chegou o carro dos bombeiros e sai dali, não havia mais nada a fazer.
Só me dei realmente conta do que tinha feito quando peguei meu carrinho de compras de novo (tinha abandonado dentro do super-mercado) e fui para o caixa.
O olhar meio aterrorizado da caixa me trouxe de volta ao mundo real. Minha camisa estava encharcada pelo sangue do atropelado.
Fui pra casa e fiquei lá.... imaginando o porque de ter passado por aquela experiência estranha.
Nunca soube.
Nunca soube ao certo também o que aconteceu com o cara.
Perguntei a algumas pessoas e soube que era zelador de um prédio próximo e alguns disseram que ele sobreviveu ao acidente.
E não sei se foi um sonho ou se aconteceu realmente, mas me lembro de ter sido abordado por alguém que disse ser filha dele e que ela disse obrigado.
Sempre achei que isso realmente tinha ocorrido, que fui abordado pela moça na rua mas como ela sabia quem eu era? Só se estava lá no dia... não sei.
Sempre tive medo de procurar saber quem era, o que realmente aconteceu.
O que sei é que naquele momento eu era o anjo da vez, o resto não importa.

Qual a razão deste blog?

Após uma queda de conexão, uma amiga brincou comigo se eu tinha me machucado e ao dizer que sou "duro na queda" o papo chegou a quedas reais e me lembrei de quanto dei trabalho a meu anjo da guarda... não só em quedas, mas o tempo todo.
E comecei a lembrar do quanto ele foi eficiente e pensei... porque não um blog?
Já tenho um blog de causos da minha vida, mas achei que esse anjo merece um especial pra ele, é pouco perto do que fez por mim, na verdade é quase nada.
Mas pelo menos quero lembrar e demonstrar que estou agradecido, mesmo porque poderei agradecer a tantos anjos que Deus mandou em toda minha vida e até de momentos em que fui anjo de alguém, pois já houve, embora eu não me lembre de tantos.
Enfim, é isso.
O que?
Não acredita em anjos da guarda?
Sorte a sua, incrédulo leitor ou descrente leitora...que eles acreditam em você!